PX2-0922 - Foto publicada com a matéria
No dia em que os PXs salvaram Cubatão.
Texto: Jairo Sérgio A. Campos
Fotos: João Vieira
28 de janeiro de 1976 - Chuvas intensas caem na Serra do Mar, provocando enchentes que deixam mais de 10 mil pessoas desabrigadas. Todas as ruas dos bairros centrais e do Jardim Casqueiro estão tomadas pelas águas dos rios Cubatão, Piaçagüera e Mogi, atingindo também a área do parque industrial. O prefeito Carlos Frederico Soares Campos decreta "estado de calamidade pública" no município.
Durante algumas horas, a cidade ficou isolada do mundo. Os serviços de telecomunicações e transportes não funcionavam. Isso não impediu, entretanto, que a cidade começasse a receber o auxílio de vários pontos da Baixada e do Estado.
Poucas pessoas sabem o que realmente aconteceu e quem avisou os demais municípios sobre a enchente e a necessidade de ajuda. O prefeito ressaltou, em notícias publicadas nos jornais, parte do que havia acontecido: "Os radioamadores da Baixada contribuíram de forma incisiva para amenizar os problemas de Cubatão".
O socorro foi coordenado por equipes de amadores que possuem aparelhos de rádios nos seus veículos, conhecidos como Faixa do Cidadão. Naquela época, a Faixa do Cidadão não era tão difundida como hoje. No Brasil, o público teve um contato mais direto com esse tipo de comunicação, por causa do filme Agarra-me se puderes , estrelado por Burt Reinolds.

AGARRA-ME SE PUDERES
(Smokey and the Bandit, EUA, 1977)
Celestino Ribeiro Filho, um colega de Cubatão, prefixo PX2-1557, relembra a enchente de janeiro de 1976: "Naquele tempo eu não tinha prefixo ainda. Adquiri o rádio em fins de 1975. Eu saía do trabalho para o almoço e chovia muito. Ao retornar ao trabalho, notei que a Praça Coronel Joaquim Montenegro, onde resido, estava inundada. Calculei então que o resto da cidade deveria estar em situação bem pior".
"Depois de algum tempo, percebi que os telefones estavam mudos. Saí com minha camioneta, onde estava instalado o rádio, e me dirigi ao antigo prédio da Prefeitura, na Rua São Paulo, e lá fixei minha base de operação. Não demorou muito e entrei em contato com o Raul (hoje prefixado PX2-1277), e começamos a avaliar a situação. De imediato, foi formada uma rede de emergência. Todos os PXs da Baixada passaram a colaborar".
Celestino continua a lembrar a enchente: "Realizamos uma ponte (conexão) com eles. A segunda base da Baixada estava localizada no sopé da Ilha Porchat. Todos os socorros possíveis foram prestados pelas cidades da Grande São Paulo, principalmente, as mais próximas. Cubatão ficou, durante horas, ligado ao resto do país por meio da Faixa do Cidadão. Para os 12 mil desabrigados, que se agrupavam no Centro Esportivo Alencar Castelo Branco, chegaram medicamentos trazidos por Eliseu Galacho (PX2-0591) e sua cristal (esposa) Giselda (PX2-0591/2). Os remédios foram entregues ao prefeito Carlos Frederico Soares Campos".
Em junho de 1977, os PXs entraram novamente em ação. Celestino agora conta a participação dos PXs no O pior acidente de toda a história da Via Anchieta, em 28 de junho de 1977.
"Naquele dia - diz ele - colaboramos com a Rede de Emergência do Estado de São Paulo (RESP) - canaleta 9-PX2-7000), fazendo mais um serviço de informação, a respeito da situação em que se encontrava a Via Anchieta. Também demos muitos telefonemas, tranqüilizando famílias que queriam notícias de seus parentes".
"A classe dos PXs sempre trabalhou no anonimato, compreendendo que, antes de um hobby , o rádio da Faixa do Cidadão é um aparelho de utilidade pública. Todos os dias recebemos comunicados solicitando avisos de falecimento e pedidos de medicamentos, vindos de vários pontos do Brasil, e até mesmo do exterior. São comuns os pedidos vindos da América do Sul. A maior função do PX é ser útil ao seu próximo" - finalizou.

Foto publicada com a matéria
Essa informação foi prestada por Vicente Osmar D'Ângelo (PX2-1315)