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Aparência inocente, mas muito perigosas!


Elas estão presentes em brinquedos, aparelhos eletroeletrônicos e garantem a diversão de adultos e crianças. Mas quando acaba a carga vem a dúvida: o que fazer com a pilha usada?

Esta pergunta já passou pela cabeça de muita gente e o que é pior, poucos sabem a resposta. Compostas, em sua maioria, por metais pesados como zinco, chumbo, manganês e mercúrio, as pilhas não devem ser jogadas no lixo comum, já que seus elementos tóxicos contaminam o solo, o lençol    freático e, no final das contas, o próprio homem. Os danos à saúde podem aparecer na forma de    problemas cardíacos e    pulmonares, distúrbios digestivos, osteoporose, disfunção renal e    depressão. Somado ao fato      de que as pilhas demoram até 500 anos para serem absorvidas    pelo ambiente, e que no Brasil,    por ano, são descartadas 170 milhões de pilhas, o problema    passa a ser grave.

 

Enquanto as baterias de celulares são compradas somente na rede autorizada, as pilhas podem ser compradas tanto de camelôs quanto de grandes redes de lojas. As pessoas compram pilhas para rádios, controles remotos, jogos, lanternas e simplesmente jogam no lixo, queimam, lançam em rios ou em terrenos baldios. Não têm informação de que se trata de lixo químico doméstico altamente perigoso. Crianças manuseiam pilhas oxidadas, pilhas velhas são guardadas em dispensas junto com alimentos e remédios. Agricultores compram adubo orgânico e não imaginam que ele possa estar contaminado por metais pesados das pilhas e de baterias de celular.

Apesar da aparência inocente e do seu tamanho, as pilhas e baterias são hoje um grave problema ambiental. No Brasil são produzidas anualmente, segundo a Assoc. Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), cerca de 800 milhões de pilhas , entre as chamadas secas (zinco-carbono) e alcalinas. Se constituem num veneno lançado no meio ambiente diariamente por milhões de pessoas.
Uma pilha comum contém, geralmente, três metais pesados: zinco, chumbo e manganês, além de substâncias perigosas como o cádmio, o cloreto de amônia e o negro de acetileno. A pilha de tipo alcalina contém também o mercúrio, uma das substâncias mais tóxicas que se conhece.
O perigo ocorre quando se joga uma pilha ou bateria no lixo comum, pois há o risco dessas substâncias e metais pesados entrarem na cadeia alimentar humana, causando sérios danos à saúde.

 

Metais Pesados Contidos nas Pilhas e Baterias de Celulares

- Mercúrio
- Cádmio
- Chumbo
- Lítio
- Níquel
- Zinco
- Cobalto e compostos
- Bióxido de Manganês


Tempo de Degradação

 

Pilhas: de 100 a 500 anos

Metais Pesados: infinito.


Efeitos dos metais pesados :
 

Mercúrio ...
Distúrbios renais e neurológicos (irritabilidade, timidez e problema de memória), mutações genéticas, e alterações no metabolismo e deficiências nos órgãos sensoriais (tremores, distorções da visão e da audição).

Cádmio ...
Agente cancerígeno, teratogênico e pode causar danos ao sistema nervoso.
Se acumula, principalmente, nos rins, fígado e nos ossos; provoca dores reumáticas e miálgicas, distúrbios metabólicos que levam à osteoporose, disfunção renal e câncer

Chumbo ...
Gera perda de memória, dor de cabeça, irritabilidade, tremores musculares, lentidão de raciocínio, alucinação, anemia, depressão, insônia, paralisia, salivação, náuseas, vômitos, cólicas, perda do tônus muscular, atrofia e perturbações visuais, e hiperatividade.

Lítio: afeta o sistema nervoso central, gerando visão turva, ruídos nos ouvidos, vertigens, debilidade e tremores;

Níquel: provoca dermatites, distúrbios respiratórios, gengivites, sabor metálico, "sarna de níquel", efeitos carcinogênicos, cirrose e insuficiência renal;

Zinco: provoca vômitos e diarréias;

Cobalto e seus compostos: existentes na bateria de lítio, causam a "sarna do cobalto", além de conjuntivite, bronquite e asma.

Bióxido de manganês: usado nas pilhas alcalinas, provoca anemia, dores abdominais, vômitos, crises nervosas, dores de cabeça, seborréia, impotência, tremor nas mãos, perturbação emocional.

 

Por que as pilhas e baterias não devem ir para aterros?

Em função do que foi apresentado, conclui-se que as pilhas e baterias, quando esgotadas seu potencial energético, tornam-se resíduos perigosos , e como tal deveriam ser encaminhadas para a reciclagem ou para um aterro industrial.
Como os metais pesados entram na cadeias alimentares e terminam acumuladas nos organismos das pessoas, produzindo vários tipos de contaminação, não deveriam ir para aterros sanitários ou compostagem e, muito menos, para os lixões. Nos aterros, expostas ao sol e à chuva, as pilhas se oxidam e se rompem; os metais pesados atingem os lençóis freáticos, córregos e riachos. Entram nas cadeias alimentares através da ingestão da água ou de produtos agrícolas irrigados com água contaminada.
Nas usinas de compostagem, a maior parte das pilhas é triturada junto com o lixo doméstico e o composto gira nos biodigestores liberando os metais pesados. O adubo resultante contamina o solo agrícola e até o leite das vacas que pastam em áreas que recebem adubação.

A legislação contempla o lobby do setor produtivo!

Nossas leis federais e estaduais estabelecem o princípio do poluidor-pagador, ou seja, quem
gera o problema é também responsável por sua solução.
No entanto, a resolução 257/99 do CONAMA é pouco restritiva e permite a irresponsabilidade de se jogar pilhas em aterros e contemplou o lobby do setor produtivo, permitindo até 0,010% em peso de mercúrio, 0,015 em peso de cádmio e 0,200% em peso de chumbo, para as pilhas comuns.
Segundo a resolução, fica proibido lançar estes resíduos "in natura" a céu aberto; em corpos d'água, praias, manguezais, terrenos baldios, poços, cavidades subterrâneas, redes de drenagem de águas pluviais, esgotos, eletricidade ou telefone, além de queimá-los a céu aberto ou em recipientes não adequados (art. 8º).
Entretanto, o art. 13º permite que se joguem as pilhas e baterias que atenderem aos

limites previstos no art. 6º, junto ao lixo doméstico, em aterros sanitários licenciados.
A resolução não considera que 60% dos municípios do país não têm aterro sanitário e que 96% dos resíduos produzidos diariamente vão para o meio ambiente sem nenhum cuidado.